Arquivo de julho, 2010

Porto, a história com sabor e cor

Posted in Portugueses on 04/07/2010 by André Muricy

A origem da palavra Portugal vem de Portus Cale, primeiro nome do Porto

Passear pelas ruas do Porto é uma experiência inesquecível. Além da arquitetura medieval, a cidade é sinônimo de vinhos fantásticos que na verdade são armazenados na cidade vizinha, em Vila Nova de Gaia, e produzidos em toda a região que margeia o Rio Douro. Além de bons portugueses de mesa tintos ou brancos, com teor alcoólico médio de 13%, o lugar é repleto de vinhos do Porto que podem ser doces, secos, extrassecos, brancos ou tintos.

Na Estação de Santa Apolonia você pode pegar um trem para o Porto

O trem elétrico viaja a 250km/h e é bem confortável

Além do espaço, você não precisa chegar com uma hora de antecedência

O caminho é repleto de pequenas cidades e centenas de vinhedos

A característica mais marcante de um vinho do porto é o sabor naturalmente doce. Isso ocorre porque a fermentação não é completa, o que deixa o açúcar natural das uvas mais em evidência e o álcool bem concentrado, entre 18 e 22%. Por isso é bom ter cuidado nas degustações, pois ele “pega” muito rápido se consumido com um pouco de excesso. Se você quiser manter a linha, o segredo é tomar apenas meio cálice de cada vinho que aparecer.

 

Lado moderno da Cidade do Porto; ao fundo, o Rio Douro

 

As edificações às margens do Rio Douro mantém arquitetura antiga

 

É fácil encontrar queijos e um bom vinho em qualquer restaurante

Resumidamente, os três mais importantes tipos de vinho do Porto são o Branco, Ruby e Tawny. O primeiro é jovem e frutado, feito apenas com uvas brancas. O segundo, devido ao pouco contato com a madeira dos barris de carvalho, oxida pouco e, por isso, mantém o aspecto de vinho jovem. Por fim, o Tawny, que fica mais tempo nas pipas e, consequentemente, tem alta taxa de oxidação o que muda até sua cor, que passa a ser âmbar (uma mistura de laranja e amarelo).

 

Vinhos armazenados em barris de carvalho; à frente, antiga bomba de vinhos

Os vinhos do Porto devem ser tomados a 12°C e possuem várias categorias, entre as principais:

Standard – envelhece por até três anos e logo é engarrafado. Mais barato e simples.
Reserva – produzido a partir de uvas selecionadas de grande qualidade.
LBV (Late Bottled Vintage) – produzidos a partir de uma só colheita considerada perfeita. Pode ser tomado logo após o engarrafamento.
Vintage – é a mais alta classificação de um vinho do Porto. Só deve ser tomado após quatro anos na garrafa.

 

Os barcos Rabelo eram o único meio de transportar vinho no passado

 

Sem quilha e de fundo chato, o Rabelo foi feito para navegar em rio de montanha, como o Douro

 

 

As embarcações são fisicamente preparadas para o transporte de barris

Segunda maior cidade de Portugal, o Porto é o lugar perfeito até para quem aprecia pouco a bebida de Bacco, produto cujo consumo, em 2006, foi de apenas 1,8 litro por pessoa no Brasil. Na França foram 53,8l, na Itália 46,5l, em Portugal 45,3l, na Espanha 30,8l e na Argentina 28,4 litros per capita por ano. Fonte: OIV (Organisation Internationale de la Vigne et du Vin).

 

A variedade de marcas e preços é grande no Porto

CAVES

Visitar as caves onde são armazenados os vinhos traz uma grande sensação de paz interior . A escuridão e a umidade proporcionam um grato sentimento de tranquilidade. O bom é parar, sentir os aromas e ouvir o silêncio.

 

Burmester, vinhos desde 1750

Burmester

Convidados para um almoço pela Adega Alentejana (www.alentejana.com.br) fomos conhecer a Burmester, uma vinícola de origem inglesa. O armazém onde ficam os barris e as pipas é um lugar mágico. O piso de terra e as paredes de pedra dão um ar de uma daquelas tavernas da Idade Média e servem para manter a temperatura interna igual à de fora.

 

Prédio da Burmester que tem origem inglesa

 

Barris da Burmester: chão de terra e paredes grossas para manter a temperatura

 

Balseiro de carvalho: senhor do tempo e dos vinhos

Os vinhos servidos durante o impecável almoço foram o Tavedo e Burmester Reserva 2007. Ambos com características peculiares. O primeiro é mais para o dia a dia, o segundo também, mas pode abrir uma noite especial.

 

Almoço com representantes da Adega Alentejana e da Burmester

Após a sobremesa, tivemos a oportunidade única de comparar três vinhos do Porto: um Tawny 20 anos, outro de 40 anos e, por fim, toda a sutileza de um Colheita safra 1937, ou seja, produzido a exatos 73 anos. Além, do diferencial na cor e no paladar, o mais importante foi perceber que, em cada gole, você sente a energia de uma época que passou. É como beber o passado no presente. Foi emocionante degustar um vinho que superou todas as circunstâncias de décadas. Esta foi certamente uma das maiores surpresas dessa viagem à Portugal.

 

Casa Burmester Reserva, um ótimo vinho para começar uma noite especial

 

Burmester Tawny 20 anos: evolução em madeira nova

 

Colheita 1937: sabor da história em cada gole

 

Mais de 250 anos de trabalho com vinhos do Porto

 

Ponte Luís 1° vista do prédio da Burmester

 

Vinhos à venda na loja da Burmester

Real Companhia Velha

Fundada por Marques de Pombal, em 10 de setembro de 1756, a história da Real Companhia Velha se confunde com a do próprio vinho do Porto e a de Portugal (http://www.realcompanhiavelha.pt) . Seus imensos armazéns guardam safras de vinhos que já foram tomados por reis portugueses e até soldados franceses e ingleses, à época das invasões.

 

Armazém da Real Companhia Velha

 

Barris da Real Companhia Velha, dois séculos e meio de história

 

Joana Oliveira, da Real Companhia Velha, mostra mapa com regiões vinícolas

 

Detalhe do antigo laboratório usado no início da empresa

Acompanhados pela guia Joana Oliveira, tivemos o prazer de conhecer o armazenamento do vinho em barris de carvalho e nas garrafas, estas com mais de 100 anos de engarrafamento, à espera de poucos mortais pois o preço é alto. Joana disse que “quando essas garrafas são vendidas, na maioria das vezes os clientes reclamam porque recebem a garrafa limpa, sem o bolor”. Na verdade, além de provar líquido tão precioso, estar em uma das mais antigas caves do mundo foi uma experiência fascinante.

 

Garrafas esperam por décadas e representam um registro do passado

 

Bolor e teias de aranha ajudam a proteger a garrafa por mais de 100 anos

 

A escuridão, umidade e o silêncio são aliados dos melhores vinhos

 

Ao fim do passeio à cave, são oferecidos três tipos de vinhos do Porto

 

Na loja da empresa você pode comprar raridades com melhores preços

 

Estação Porto Campanhã, hora de voltar para casa

 

De volta ao trem, pensamentos ainda em Porto

 

Pela janela avistamos o mar; Lisboa bem perto