Vale dos Vinhedos: a paz tem cor e não é a branca

O silêncio e a paz são substantivos abstratos, mas se a gente pudesse enxergá-los, eles certamente seriam verdes. Não a cor da esperança, mas da prazerosa realidade de tomar um bom vinho rodeado das mais diversas variedades de uvas. Tantas, que se perdem no breve horizonte das serras gaúchas.

Homem cuida de plantação de uvas ao entardecer

Assim me pareceu o Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Um lugar bonito, de temperatura agradável e cheio de vinícolas, o que proporciona a rara oportunidade de provarmos vários vinhos diferentes e de tentar aprender e sentir cada peculiaridade.

Sede da Miolo em Bento Gonçalves, RS

A Miolo, instalada na região, é uma empresa moderna que produz rótulos variados. Apesar da tradição de mais de 100 anos cultivando uvas, foi só a partir de 1990 que a empresa iniciou a comercializar sua própria bebida. É tudo muito limpo e organizado. Até demais da conta. A ausência de um charme tradicional e o chão de cimento perfeitamente batido causam certa frieza no ambiente.

Espumante Millésime descansa antes de receber o rótulo

Garrafas do Millésime chamam a atenção pela forma

Mesmo assim, é da Miolo que vem o Millésime. Um espumante brut, com um sabor precioso e uma garrafa elegante. Ao preço de R$ 55,00 e com 12,5% de álcool, ele é uma excelente mistura das castas Pinot Noir e Chardonnay.

Millésime é um delicioso espumante brasileiro

Barris com vinho descansam em chão de cimento batido

Sala de degustação da Miolo é um convite à diversidade

Outra vinícola bem interessante foi a Lidio Carraro Boutique. Ela apresenta o vinho como um elemento especial e não utiliza barris de carvalho, o que deixa a bebida sem nenhum gosto amargo ou forte. Um aspecto de destaque é que eles não colocam nenhum aditivo para que o líquido chegue ao sabor ideal. Eles dependem exclusivamente as condições do solo e do clima. Quando as uvas não alcançam o nível de qualidade desejado numa safra, a Lidio Carraro simplesmente não engarrafa. Isso é personalidade e realça o valor dos vinhos brasileiros. Uma boa demonstração desse cuidado é o tinto Agnus, feito com uvas Cabernet Sauvignon. Com 13% de teor alcoólico, ele custa R$ 35,00 e desce macio, pleno em cada gole.

O Agnvs, da Lidio Carraro, é um vinho jovem, mas de grande valor no paladar

Caule de platano segura o parreiral

Lidio Carraro: qualidade rigorosa na produção e ótimo resultado

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15 Respostas to “Vale dos Vinhedos: a paz tem cor e não é a branca”

  1. Que bom que voltou, já estava sentindo falta disso aqui. Ainda mais com um post como esse, viajei junto…
    Beijo.

  2. André Muricy Says:

    Valeu Julie. Eu estou sempre na área. É que a falta de tempo estava me tirando o sono. Apareça sempre.

    []´s

    Muricy

  3. Muito legal André, fiquei com inveja. Minha cor agora é roxa!

    • André Muricy Says:

      Não fique. Eu trouxe umas garrafas que terei o prazer de compartir com você. Gostei da sua nova cor.

      bjão

  4. Severino Carvalho Says:

    Adrezinho, adorei o blog. Parabéns! Sugestão: traça um pouco do roteiro que pode ser feito pelo visitante aí na Serra Gaúcha. Saudações e saúde!

    • André Muricy Says:

      Boa ideia, Severo. O Vale dos Vinhedos tem várias vinícolas, mas eu só visitei três. Essa região de Bento Gonçalves, Gramado e Canela é uma boa pedida para quem quer descansar, namorar e até para morar. Só tem que ter paciência com a quantidade de curvas e radares nas estradas. Abração!

  5. Voltei no tempo. Já fui a um festival de vinho em Bento Gonçalves, eram tantas as marcas de uvas que a gente chega a ficar tonto sem nem beber vinho, mas provei vários e foi uma viagem muito boa. bjs

  6. Olá!

    Muito interessante o post sobre o Vale! A região realmente é lindissima.

    Gostaria apenas de corrigir uma informação: na foto em que vc descreve como caule da parreira “Caule de parreira ainda viva revela idade avançada da planta”.
    Na verdade o caule que vc mostra é de platano. Platano é uma planta utilizada para sustentar a parreira. É no platano que são amarrados os arames que sustentam o parreiral.

    A parreira, por mais antiga que seja, nunca chegará aquele tamanho!

    Abraços!

    • André Muricy Says:

      Muito obrigado pela informação. O guia que nos acompanhou me ensinou errado. Já está corrigido no blog.

      Volte sempre!

      Abraço,

      André

  7. Pollyanne Says:

    Adorei o post, André. O texto e as fotos são um convite à Serra Gaúcha.
    Desejo que você desfrute muito de momentos como esse.
    Nem parece que está no nosso país, não é? Tão diferente, a começar pelas estradas.
    Saudade dessas terras, do visual, do clima, dos vinhos e das comidas do Sul. 🙂
    Beijos.

    • André Muricy Says:

      É Polly, realmente é uma região bem diferente do nosso País, apesar de eu ter encontrado vários acidentes nas estradas. Mas penso que o clima frio acalma as pessoas. Um lugar bonito, com horizontes próximos.

      Abração

      Muricy

  8. Fernandinha Says:

    Maravilha, André. Deu foi inveja em mim, isso sim. No bom sentido, claro.
    Ei, ja expermentei o vinho q vc me deu. Tomo aos poucos. Adorei!!!

    • André Muricy Says:

      Fernandinha. Bom demais ter você sempre por perto. Tome logo esse vinho e adquira novas garrafas. Em cada rótulo, você vai ter uma nova descoberta.

      Bjão

      André

  9. Clístenes Cardoso Says:

    André, meu amigo.

    É rapaz, há mais coisas entre o céu e Bento Gonçalves do que supõe a nossa vã filosofia. Aquele foi um dia cheio de descobertas para mim principalmente no que se refere ao olfato e à pronúncia das castas. Aquela do vinho não ter nada de maça, folhas ou qualquer outro produto que faz lembrar ao cheirar o próprio vinho, pelo menos para mim, também foi novidade. Cheguei em casa e servi o Brut para a patroa.
    Parabéns pelo blog. Grande Abraço

    • André Muricy Says:

      Valeu grande jornalista. Foi muito legal conhecer pessoas totalmente diferentes como você, mas com várias coisas em comum. Adorei nosso testdrive. kkkkk. Já vou me escalar para outras searas. Keep in touch.

      Abração

      André

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